Halloween na escola: como abordamos a data na Mangalô
Como abordar o Halloween na escola Montessori?
Na Mangalô, a data faz parte do trabalho de Cultura do nosso time de inglês. As propostas apresentam costumes de outros países e são planejadas de acordo com a idade das crianças, respeitando também as diferentes perspectivas das famílias.
No Preschool, por exemplo, a exploração de uma abóbora despertou tanto interesse que algumas crianças sugeriram criar uma horta. Queriam plantar as sementes e, depois, colher abóboras para comer na escola.
Até chegar à tradicional abóbora-lanterna, o Jack-o-Lantern, houve muita descoberta. E esse caminho ajuda a explicar as escolhas das nossas misses.
Halloween na escola: por que conhecer essa tradição?
Aprender inglês também envolve conhecer os costumes e as histórias das pessoas que falam essa língua. Por isso, algumas datas do calendário internacional entram nas propostas da área de Cultura.
Na Mangalô Montessori esse trabalho faz parte do programa bilíngue diário. O Halloween, bastante presente em países de língua inglesa, oferece oportunidades para conhecer uma tradição e conversar sobre referências que muitas crianças já encontram fora da escola.
O planejamento considera o que faz sentido para cada grupo. Os materiais apresentados ao Toddler são diferentes daqueles escolhidos para o Elementary, assim como as perguntas e as conversas que surgem durante as atividades.
Toddler: conhecer os animais e observar as imagens
Para as crianças de 1 a 3 anos, a Miss Isadora preparou propostas com imagens reais de abóboras, morcegos e aranhas, sem características assustadoras e sem abordar histórias de fantasia.
Uma das bandejas da prateleira de inglês reuniu fotografias desses elementos e imagens de casas decoradas com eles. A professora apresentou os nomes em inglês e mostrou como apareciam nas decorações de Halloween.

Outra bandeja trouxe a associação de imagens com as cores roxa, laranja e preta, frequentemente utilizadas na data.

Entre os pequenos, o morcego despertou uma curiosidade especial:
“Elas ficaram bem curiosas, especialmente pelo morcego que dorme de cabeça para baixo.”— Miss Isadora, Toddler
A proposta abriu espaço para descobrir algo sobre um animal real, enquanto as crianças ouviam e conheciam palavras em inglês.

Preschool: antes da lanterna, a investigação
No Preschool, de 3 a 6 anos, as referências reais também orientaram as escolhas das professoras e uma ambientação especial foi adotada nas prateleiras.

Resgatando trabalhos anteriores, a Miss Bia lembrou do interesse das crianças pelo trabalho com as partes dos animais e, a partir disso, criou um material em feltro com as partes da abóbora. O envolvimento do grupo levou à apresentação de uma abóbora de verdade.
Com ela em mãos, as crianças puderam sentir seu peso, tocar a casca e investigar o interior.
“As crianças guiaram a exploração, sentindo o cheiro e a textura da parte interna e externa.”— Miss Bia, Preschool
Ao final, algumas sementes foram levadas para casa. Surgiu também a proposta de plantá-las na escola, acompanhando o crescimento de novas abóboras.
No planejamento da Miss Vitória, a escolha foi apresentar o Halloween a partir de elementos da natureza que aparecem nessa tradição:
“Nós planejamos algo que tivesse, a princípio, bases concretas e reais.”— Miss Vitória, Preschool
As crianças conheceram, por imagens e conversas, costumes como decorar as casas e participar do trick or treat, quando crianças vão de porta em porta pedindo doces.
As turmas participaram da montagem de uma Jack-o’-lantern, a tradicional abóbora-lanterna, com a ajuda das misses. A Miss Bia contou que apresentou o costume depois da exploração, e as crianças quiseram experimentar. Era a primeira tentativa dela também.

O Halloween apareceu ainda em colagens, quebra-cabeças e trabalhos de vida prática. Borrifar água e passar uma flanela para limpar a abóbora trouxe para a proposta cuidados que as crianças já exercitam na rotina.
Como Montessori aborda fantasia e realidade?
Nos primeiros anos, o contato com a realidade ocupa um lugar central na educação Montessori. A criança conhece o mundo ao observar, tocar e experimentar. Essas experiências oferecem referências para o desenvolvimento da imaginação.
Essa orientação aparece na escolha dos livros, dos materiais e das propostas. No Preschool, ela também está presente nas orientações para as fantasias, que privilegiam referências do mundo real.
Ao mesmo tempo, as professoras acolhem as invenções e brincadeiras que surgem das próprias crianças. Priorizar experiências concretas não significa impedir que elas imaginem.
Falamos mais sobre essa relação no artigo “Imaginação infantil: o que realmente desenvolve a criatividade da criança?”.
Elementary: conversar sobre ficção e criar histórias
No Elementary, as conversas sobre o Halloween ganham outras possibilidades. As crianças investigam a origem da celebração e discutem as diferenças entre acontecimentos reais e histórias de ficção.
A Miss Bruna Person selecionou vídeos sobre a história do Halloween e de Frankenstein. As turmas conheceram também o Día de los Muertos, uma tradição distinta, com seus próprios significados.
Uma leitura sobre Mary Shelley, autora de Frankenstein, abriu uma conversa sobre como as histórias são criadas. Já o livro How to Be Friends with a Ghost trouxe humor para explorar um personagem geralmente associado ao medo.
A música escolhida para trabalhar o tema foi Thriller, de Michael Jackson, já conhecida e apreciada pelas crianças. Com a mediação da professora, a canção foi utilizada para trabalhar vocabulário, associações de palavras e listening, a compreensão do inglês pela escuta.

As propostas também incentivaram as crianças a comentar suas descobertas e conversar em inglês com os colegas.
“O inglês, assim, aparece de forma contextualizada e significativa, dentro de uma experiência que faz sentido para elas.”— Miss Bruna Person, Elementary
Neste ano, as orientações para o desfile do Elementary passaram a incluir fantasias de personagens fictícios de livros e filmes. A escolha considera o desenvolvimento das crianças e o espaço maior para explorar o imaginário e criar suas próprias histórias.
Muitos desses personagens já fazem parte dos interesses do grupo. Compartilhá-los com os colegas também permite conhecer melhor aquilo de que cada um gosta.
Desfile Fantasias Halloween Crianças do Elementary
Respeito às famílias e às diferentes culturas
As famílias têm diferentes formas de olhar para o Halloween. Esse cuidado está presente no planejamento do English Team, da escolha dos materiais à maneira de apresentar a data.
A Miss Bruna explica que o Halloween é apresentado como um:
“Fenômeno cultural a ser compreendido, e não como crença a ser adotada.”
Esse princípio orienta o trabalho com as datas do calendário internacional. Conhecer uma tradição permite aprender sobre outras pessoas, fazer perguntas e perceber que os costumes podem ser diferentes daqueles vividos em casa.
Na Mangalô, essas descobertas também acontecem junto do inglês e acompanham o crescimento das crianças. A curiosidade pelo morcego no Toddler, o desejo de plantar sementes no Preschool e as conversas sobre ficção no Elementary mostram como uma mesma temática pode ser apresentada de maneiras diferentes.
Confira também um registro do Halloween de 2025 na escola:
Registros da festa de Halloween de 2025
O Halloween é uma das oportunidades que temos de apresentar às crianças modos de viver diferentes dos seus. Conhecer o costume de outro país permite entender melhor algo que elas encontram nos livros, nas músicas e fora da escola, sem que precisem adotar aquela tradição.
As escolhas das misses fazem diferença nesse encontro. Para os pequenos, descobrir que um morcego dorme de cabeça para baixo já desperta uma investigação. Entre os maiores, uma história pode abrir conversas sobre ficção, medo e humor. O inglês acompanha essas descobertas e permite falar sobre elas.
É assim que o trabalho de Cultura amplia o repertório das crianças: dando a elas referências para compreender um mundo que vai muito além daquilo que já conhecem, com respeito às diferenças que também existem dentro da própria escola.
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