Imaginação infantil: o que realmente desenvolve a criatividade da criança?
- Comunicação Mangalô

- 18 de mar.
- 3 min de leitura
A gente cresceu acreditando que imaginação tem a ver com fantasia: Papai Noel, Coelho da Páscoa, Princesas, Super-heróis...
Tudo isso parece parte de uma infância cheia de criatividade, magia, encanto.
E é curioso perceber como isso está tão naturalizado que quase não se questiona.
Mas… e se a base da imaginação for outra?
A criança pequena não está imaginando, ela está entendendo o mundo
Na primeira infância, a criança não está tentando fugir da realidade.
Ela está tentando entender a realidade.
Ela observa tudo... toca... repete... experimenta...
Tudo ainda é muito novo e (especialmente na cabeça dela) precisa fazer sentido.
É desse processo que nasce algo que a gente costuma chamar de imaginação…mas que, na verdade, começa muito antes.
Vamos entender um pouco com esse vídeo com a nossa diretora pedagógica, Nathalia Teles:
“Fantasia é o mundo irreal, de coisas que são inventadas. Imaginação é o desenvolvimento da inteligência. A gente usa a imaginação para desenvolver e criar coisas.”
Quando a gente escuta isso, muda o lugar da imaginação. Ela deixa de ser algo solto, abstrato…e passa a ser pensada.
Algo que se desenvolve a partir do que a criança vive.
E a fantasia? Ela vai existir.
E aqui entra uma parte importante.
A gente vive em um mundo onde a fantasia está presente.
As crianças vão ouvir falar de Papai Noel, vão ver o coelho da Páscoa, vão conhecer personagens... Isso não tem como (nem precisa) ser ignorado.
O que muda é o papel do adulto. É a forma como a gente apresenta essas histórias.
A criança pequena ainda não consegue diferenciar com clareza o que é real do que é imaginado.
Então, quando tudo é apresentado como verdade, ela tenta organizar aquilo dentro da realidade que está construindo.
E é aí que pode gerar confusão.
Esse é um ponto que costuma gerar muitas dúvidas, e que também é aprofundado por profissionais que se dedicam à formação Montessori no Brasil.
Como explica Gabriel Salomão, mestre Montessori e responsável por uma das formações mais reconhecidas na área no país:
Então o que fazer, na prática?
Não é sobre tirar o encantamento e, sim, sobre mudar de onde ele vem.
Em vez de sustentar personagens como algo real, a gente pode trazer experiências que façam sentido para a vida da criança.
Um amigo secreto em família.
Uma caça aos ovos pensada dentro da casa, com pistas e desafios.
Preparar algo juntos.
Observar a natureza.
Coisas simples, mas que são vividas de verdade.
A imaginação nasce disso
Quando a criança vive, observa, experimenta… ela começa a criar.
Ela conecta ideias, cria experiências e inventa a partir do que ela já conhece.
A imaginação da criança se constrói a partir do que ela vive, é assim que a inteligência se organiza.
Talvez a mudança de olhar esteja aqui:
A infância precisa de sentido.
Mais vida acontecendo de verdade.
Porque é isso que sustenta uma imaginação rica, criativa e consistente.
Para continuar essa conversa
Esse é um tema que ainda gera muitas dúvidas e que merece ser olhado com mais profundidade no dia a dia.
Por aqui, seguimos trazendo reflexões, exemplos práticos e recortes da nossa vivência com as crianças.
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Comente aqui: como é a fantasia por aí, muito presente?





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