Curiosidades e benefícios do Método Montessori
- Comunicação Mangalô

- 4 de dez. de 2025
- 6 min de leitura
Entendendo o Método Montessori
Maria Montessori desenvolveu uma abordagem de ensino que vê a criança como protagonista do próprio aprendizado. Para ela, a educação deve auxiliar a vida, permitindo que cada aluno siga o seu ritmo natural de desenvolvimento. A autoeducação é um pilar central: as crianças têm a capacidade inata de aprender e, em um ambiente preparado, investigam, pesquisam e fazem descobertas por si mesmas. Nesse modelo, o professor atua como guia; ele observa, propõe desafios e interfere apenas quando necessário, respeitando o interesse e o ritmo de cada aluno.
No ensino Montessori, as salas de aula são organizadas por ciclos etários: 1-3 anos (toddler), 3-6 anos (Preschool), 6-9 anos (Elementary), etc.; e não por séries, permitindo interação entre crianças de idades diferentes.
Os ambientes são preparados com móveis na altura das crianças e materiais sensoriais que incentivam a exploração com autonomia. Cada área (sensorial, vida prática, linguagem, matemática, cultura) dispõe de materiais concretos como a Torre Rosa e as Barras de Contagem. As crianças escolhem as atividades - com orientação - em vez de seguir apostilas padronizadas e com isso o aprendizado flui de forma natural e individualizada.

Benefícios do Método Montessori
Mas quais são as curiosidades e benefícios do Método Montessori?
Diversos estudos e experiências apontam ganhos significativos para as crianças que vivem a metodologia:
Autonomia e independência: o método incentiva a autoeducação e a liberdade com responsabilidade, permitindo que cada criança descubra seu próprio ritmo e interesses. A autodisciplina surge quando elas tomam decisões e assumem responsabilidades pelas próprias escolhas.
Autoestima e confiança: a possibilidade de explorar e errar sem medo evita sentimentos de baixa autoestima e ansiedade. As crianças aprendem a reconhecer seus limites e desenvolvem uma imagem positiva de si mesmas.
Coordenação motora e foco: a manipulação de materiais sensoriais desenvolve coordenação motora, concentração e senso de ordem. A autoeducação proporciona persistência e capacidade de observação.
Criatividade e pensamento crítico: o ambiente preparado estimula a criatividade e a imaginação. Ao escolher atividades e resolver problemas de maneira prática, os alunos exercitam o pensamento crítico e a criatividade.
Habilidades sociais e emocionais: a interação entre crianças de idades diferentes promove cooperação e empatia. As crianças aprendem a dividir ideias, experiências - os mais velhos apresentam atividades - e brinquedos, respeitam o próximo e desenvolvem habilidades de colaboração.
Sensibilidade e responsabilidade ambiental: o método ensina respeito pelo ambiente e pelos colegas, incentivando a limpeza, a organização e o cuidado com os materiais. Aqui a vida na natureza é muito importante, por isso incentivamos o pisar na terra, na grama e conhecer de perto as árvores e os insetos que vivem por la.
Preparação para a vida: além de desenvolver habilidades acadêmicas, a abordagem foca na formação integral: autonomia, pensamento crítico, criatividade e habilidades práticas, preparando os alunos para desafios futuros.

Diferenças em relação ao ensino tradicional
Comparando o método Montessori com o ensino tradicional, surgem diferenças importantes que explicam seus resultados:
ASPECTOS | ABORDAGEM MONTESSORI | ENSINO TRADICIONAL |
Filosofia de ensino | Educação como auxílio à vida, voltada ao desenvolvimento integral e respeito ao ritmo de cada criança. | Currículo centrado em conteúdos, com ênfase em provas padronizadas e resultados numéricos. |
Organização das turmas | Classes com alunos de idades diferentes, agrupados em ciclos de três anos (0–3, 3–6, 6–9 etc.) | Turmas estratificadas por série/idade, com pouca variação etária e menor flexibilidade. |
Ambiente de aprendizagem | Ambientes divididos por áreas (sensorial, matemática, linguagem…), com circulação livre e materiais acessíveis. | Salas com carteiras enfileiradas e/ou demarcadas e foco em livros didáticos/apostilas. |
Materiais didáticos | Materiais científicos e concretos (Torre Rosa, Barras de Contagem etc.) que permitem experimentação, autodidaxia e autocorreção. | Apostilas e exercícios padronizados voltados à memorização. |
Ritmo de aprendizagem | Autodirecionado: cada criança escolhe atividades de acordo com seu estágio de desenvolvimento e interesse. | Coletivo: todos avançam no mesmo ritmo seguindo o planejamento do professor. |
Papel do educador | Guia e observador; propõe desafios e deixa a criança construir o conhecimento. | Transmissor de conteúdo que centraliza a aprendizagem. |
Avaliação | Observação contínua e registros qualitativos; foco na formação para a vida e competências socioemocionais. | Provas e notas quantitativas, com foco em testes e vestibulares. |
Socialização | Cooperação natural: alunos mais experientes auxiliam os mais novos. | Competição implícita e interação limitada ao desempenho individual. |
Currículo | Flexível e adaptável aos interesses da criança. | Rígido, com conteúdos e prazos pré‑estabelecidos. |
A escola montessoriana se concentra em fornecer subsídios adequados para que cada criança se desenvolva natural e intuitivamente. A aprendizagem não é padronizada e ocorre a partir das vivências individuais. O educador atua como guia, respeitando o desenvolvimento de cada aluno, enquanto no ensino tradicional o professor transmite conteúdo e a avaliação é centrada em memorização.
Relatos pessoais das nossas misses
Além dos benefícios observados na literatura, nossas professoras (que chamamos de misses) compartilham experiências que mostram a riqueza do método em ação:
Bruna G (Toddler - 1 a 3 anos) valoriza o fato de não seguir apostilas:
as atividades partem da curiosidade da criança. Ela observa o interesse individual e prepara experiências que permitem tanto o trabalho individual quanto o coletivo. Cada criança se sente vista e pode explorar ao seu ritmo, mesmo estando em grupo.
Carol (Toddler - 1 a 3 anos) comenta que o desenvolvimento sempre começa pelo concreto.
Os materiais montessorianos permitem que a criança aprenda com as mãos, pela experimentação e autocorreção. Primeiro ela vivencia, toca e explora, depois chega ao abstrato — o que é descrito nos textos sobre materiais sensoriais.
Talita (Preschool - 3 a 6 anos) destaca a flexibilidade do Montessori para ir além do currículo.
Se uma criança ama cultura mas não gosta de matemática, é possível integrar matemática ao interesse dela, explorando números na arte, na música ou nas histórias. Essa abordagem cria conexões significativas e mantém a curiosidade da criança acesa.
Bruna B (Preschooll - 3 a 6 anos) lembra que, diferente de métodos em que crianças da mesma idade aprendem a mesma coisa, no Montessori o aprendizado flui com a natureza da criança. Ela ressalta a beleza dos períodos sensíveis:
momentos em que a criança já demonstra prontidão e vontade de aprender; o papel do educador é apenas guiá‑la, não forçar.
Samara (Elementary - 6 a 9 anos) acha rico como o método permite acessar os alunos de maneira profunda. Ela cita os momentos de roda de leitura e discussões em grupo:
não são momentos “soltos”; ideias e opiniões surgem e se aprofundam, enraizando-se nos alunos e mostrando que a aprendizagem coletiva é viva e significativa.
Nathalia (Diretora Pedagógica) enfatiza a importância da aprendizagem em pares.
Como as salas são agrupadas, o mais novo aprende com o mais velho, e o mais velho reforça seus conhecimentos ao ensinar. Essa troca gera senso de responsabilidade e cria uma comunidade cooperativa.
Como vivenciamos o Montessori na nossa escola
Ambientes preparados – Nossas salas são organizadas por áreas de aprendizagem com materiais acessíveis e adequados à altura das crianças, permitindo que cada uma escolha sua atividade. Mantemos prateleiras baixas, mesas de diferentes tamanhos e espaço para movimento livre, como orientado por Maria Montessori.
Materiais sensoriais e autocorreção – Utilizamos materiais desenvolvidos pela pedagoga, como a Torre Rosa e as Barras de Contagem, além de mapas tridimensionais e materiais de vida prática. Eles permitem que a criança aprenda por meio da experimentação, do toque e da autocorreção, passando do concreto para o abstrato.
Rodas de leitura e debates – Integrando as disciplinas, realizamos rodas de leitura nas quais as crianças discutem histórias, ciência ou temas de interesse. Essas rodas desenvolvem linguagem, escuta ativa e pensamento crítico, como destacado pela miss Samara.
Projetos interdisciplinares – Flexibilizamos o currículo para conectar de matemática a artes, cultura e ciências. Se uma criança gosta de música, exploramos frações e ritmos; se gosta de história, usamos linhas do tempo para trabalhar matemática e linguagem. Essa integração conecta diferentes áreas, como relatou a miss Tali.
Trabalho em pares e grupos multietários – Incentivamos que crianças mais velhas ajudem as mais novas, promovendo cooperação e empatia. Essa prática reforça o aprendizado de quem ensina e oferece modelos positivos aos mais novos.
Autoavaliação e registros qualitativos – Em vez de notas, registramos observações sobre o progresso individual. As crianças também participam de autoavaliações simples, refletindo sobre o que aprenderam e o que desejam explorar. A avaliação contínua foca no desenvolvimento integral.
Contato com a natureza e respeito pelo ambiente – Nossas atividades incluem cultivo de plantas, cuidado com animais e projetos de sustentabilidade. A criança aprende que seu ambiente precisa ser cuidado e organizado, desenvolvendo responsabilidade.
Conclusão
O método Montessori vai muito além de uma metodologia educativa; é uma filosofia que respeita o ritmo, a curiosidade e a singularidade de cada criança. Estudos mostram que ele promove autonomia, autoestima, coordenação motora, habilidades sociais e criatividade. As diferenças em relação ao ensino tradicional explicam por que tantos pais e educadores buscam essa abordagem: ambientes preparados, multietários, materiais sensoriais e educadores que atuam como guias.
Veja um pouco mais sobre como a metodologia acontece acessando o artigo: Método Montessori na educação infantil: entenda como funciona.
Os relatos das nossas misses demonstram que esses benefícios se materializam no cotidiano: as rodas de leitura se transformam em debates significativos; as aulas interdisciplinares conectam matemática à arte; e a cooperação entre crianças de diferentes idades cria uma comunidade de aprendizes entusiasmados. Como resume Maria Montessori, “o maior sinal de sucesso para um professor é poder dizer: as crianças estão trabalhando como se eu não existisse”.
Esse é o objetivo que buscamos a cada dia em nossa escola - permitir que cada criança descubra o mundo com liberdade, alegria e profundidade.

















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